[sobre o dia que o Nathan chegou]

As seis horas da manhã do sábado, 30 de maio, levantei sentindo algo diferente. Pensei: será hoje? Tinha baixado um app no meu celular para marcar o tempo das contrações e resolvi iniciar a contagem. Sim, elas haviam começado - de forma irregular e espaçada. Todos dormiam em casa ainda, liguei a banheira e conforme os minutos passavam, a dor aumentava. Não demorou muito e ja tinha a família toda a minha volta dizendo: "começou! é hoje! é hoje!" :)

As dores estavam aumentando rapidamente e a média de contrações entre uma e outra ja estava de 5/5 minutos. Com essa média fomos diretamente para o hospital. Pensamos que todo o processo seria rápido mas ao ser examinada tinha 3 cm de dilatação. Estava feliz que tudo havia começado. No meu quarto do hospital, tinha a minha disposição uma banheira, o que me fez relaxar bastante enquanto a dor aumentava mais e mais.

Ja estavam comigo meu esposo, cunhada, mãe e sogra e então começaram a chegar amigas para me acompanhar no trabalho de parto. Eu sou o tipo de pessoa que gosta de estar entre amigos e sabia que se os tivesse comigo durante o processo isso me ajudaria muito e me distrairia. E aqui é assim, voce pode ter até seis pessoas no seu quarto do hospital para assistir tudo mas no final a médica permitiu entrar todos: 13 pessoas (haha). E mesmo com dor, para mim foi muito divertido. Enquanto elas conversavam entre elas e comigo isso me ajudava a mudar o foco da dor.

Como enfermeira eu sempre tive o sonho de realizar um parto natural - sem anestesia. Já na época da faculdade durante as classes pensava sobre este assunto. Mas vou falar a real: não tenho um pingo de resistência a dor. Quando sentia uma dor de cabeça ou algum outro desconforto físico, isso me derrubava muito. Tinha o sonho, mas pensava comigo que nunca iria conseguir.  

Aqui onde moro, tenho uma amiga, a Grazi, que passou pelo parto natural e durante toda a gravidez ela foi a maior incentivadora. Mas sempre dizia a ela que não iria aguentar pois sou pouco resistente a dor. Quando minha cunhada Ellen chegou para me acompanhar durante os dias finais da gravidez, mencionei a ela que gostaria de tentar o parto natural e assim Jonatas e ela me apoiaram. Então quando fui para o hospital, estava aberta a aceitar o que fosse acontecer, até mesmo o parto natural. Mal sabia que eu conseguiria!

A minha evolução até os 6 cm foi constante e rápida. Mas quando alcancei essa dilatação, estacionei nela e por durante 10 horas eu não sai deste estágio. Isso aconteceu por que de alguma forma a cabecinha dele ficou numa posição em que não facilitava a dilatação. Durante todo este tempo andei muito nos corredores do hospital, fiz exercício com a bola, fiz banhos quentes na banheira, tudo que estava a minha disposição, mas nada havia mudado após a ultima verificação da dilatação. Fiquei triste, desapontada e esgotada por estar há tantas horas no trabalho de parto e nada mudar.

A médica então sugeriu que eu rompesse a bolsa - que estava intacta até este momento.  Mas neste caso eu corria o risco de multiplicar a minha dor e mesmo assim não haver dilatação. Jonatas veio ao meu lado, orou comigo e resolvemos fazer o que a médica tinha aconselhado. Acho que neste momento Deus me deu um descanso de uns 15 minutos até a próxima contração em que consegui até mesmo cochilar. Mas quando a próxima contração chegou eu vomitei instantaneamente de dor e aí se iniciaram mais quatro horas de processo àrduo até a dilatação total. Devo dizer aqui que nunca senti nada igual, estava exausta e sentindo uma dor sobrenatural.

Um parênteses neste processo todo pois tenho que mencionar que tive ao meu lado uma dola, Melody (uma massagista amiga minha que se voluntariou a me ajudar) e minha amiga Léa. Se não fossem elas eu não teria conseguido. Elas estiveram ao meu lado, incansavelmente, contração após contração, massageando meu corpo por durante 24 horas. Não tenho palavras para explicar a gratidão que sinto por elas. Elas fizeram a diferença. E junto a elas, as amigas que estavam atentas a todo o momento me dando água, fazendo compressas frias em mim, fazendo penteados nos meus cabelos, fazendo maquiagem (haha!!!) me dando suporte e me distraindo com risadas: Lísye, Hanny, Carina, Ádela, Grazi (e Hadassinha também! rs), Camila, Ketlen. Para mim foi marcante! Sou muito grata a todas. E a minha família! Que seria de mim sem eles? Eles foram demais!! Pacientes e apoiadores! Enquanto eu estava com dores, olhava ao lado e via minha mãe e minha sogra orando! Amo vocês demais!

Bem, depois de mais quatro horas de dor, chegou o momento do 'pushing'. E para falar a verdade foi a menor dor que eu senti! hehe. Com a chegada da médica  e enfermeira, começamos o processo que, graças a Deus, foi constante.

Consigo ainda me lembrar de todas as palavras de apoio, todas as emoções e incentivos demonstrados por todos os que estavam no quarto. Consigo me lembrar de todas as palavras encorajadoras e carinhosas ditas pelo Jonatas que eu ouvia no canto do ouvido. 

Mas a emoção maior foi quando toda esta dor passou e finalmente meu filho veio a mundo. Tudo no quarto congelou e eu não vi mais ninguém. A médica colocou ele imediatamente em meu peito e consigo sentir ainda o calor do seu corpinho, ouvir o seu primeiro chorinho e sentir o seu cheirinho. Que amor é esse? Parece que Deus coloca na hora no nosso coração.

E foi assim: 24 horas de trabalho de parto e então chega meu outro amor da minha vida com 3,680kg e 53cm às 5:42am no dia 31 de maio.

Não me arrependo em nenhum momento de ter passado tudo o que passei. Fiz a escolha correta e Deus me ajudou para isso.

Posso dizer que sou a mulher mais feliz: nos veio a parte que nos faltava.

Abaixo, veja fotos do processo todo. Obrigada amiga querida Lísye pelas fotos e pela abnegação!